domingo, 5 de dezembro de 2010


E já no final de tarde, acho que já estávamos na primavera, não sei, nunca fui boa em aprender a ordem das estações, o meu celular toca. Ele estava distante, confesso que a distância e a falta de vontade de falar com qualquer pessoa, me impedia de me aproximar do aparelho e atender. Por via das dúvidas, resolvi atender, me dirigí até ele, era um número conhecido, não havia na minha agenda, mas sei que o conhecia - ahhhh aquele número que tantas vezes me trouxe uma voz rouca e que eu um dia esqueci como era escutar - sim, era ele novamente, falou baixo meu nome, com cautela. Depois de tanto tempo, como foi bom aquele momento, sim, era meu número que você discara, queria ouvir minha voz, aquela chamada que eu quase não atendera e teria me arrependido semanas, quem sabe até meses, se perdesse essa oportunidade. Me disse com uma voz abafada que queria voltar e repetiu, logo após fez um longo silêncio. Como eu poderia dizer não? Quero, quero muito e dessa vez, mais do que nunca, desejo que seja pra sempre.

Elen S. Alencar

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Pitacos *-*